Estou rodeada de pessoas que sabem coisas, que dizem e vivem coisas com sentido. Já eu, não. Eu sou uma ignorante e tenho consciência disso. Esta máscara não passa de uma forma de me sentir diferente, para melhor. Porque se calhar não sou assim tão inteligente. Porque se calhar não tenho nada para dar ao mundo. E essa sensação de burrice e ignorância leva-me a fazer asneiras. Que me tornam mais burra e ignorante, ainda.
O problema das asneiras que faço é simples medo. Tem dias que eu nem me tenho em má conta, e esses dias vêm, normalmente, acompanhados de boas decisões e responsabilidade.
No verso da medalha olho para o fundo de mim mesma e fujo a correr. Pura filosofia existencialista, já dizia o Prof. Dr. Pedro Calafate.
Verdade seja dita. Estou rodeada de pessoas que sabem coisas, que dizem coisas e vivem coisas com sentido. E é mais simples encostar-me a elas. Um encosto. É o que sou, por vezes. Um complicado e pesado encosto.
Ontem estive com uma artista. Uma verdadeira artista. Daquelas que vivem de forma Boémia e que eu imagino a morrer cedo, numa casa a cair, rodeada de pessoas que fazem asneiras à procura de super-orgasmos, por muito triste que seja.
Esta pessoa cheia de talento fez-me ver uma série de coisas sobre mim que, por comodismo, prefiro não ver. Lá está o tal encosto. Esta pianista fez-me ver que sou uma metade, à procura de preencher espaços.
Ela sabe coisas e diz coisas com sentido. Já a forma como as vive deixa muito a desejar.
É por isso que eu não quero Gelatinas na minha vida, por muito bem que toquem piano. Para ignorante já basto eu.
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